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A maldição dos aplicativos de namoro

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Prazer, Mariana.

Estou há mais de seis meses solteira, e, como toda solteira da minha geração, rendi-me aos aplicativos de namoro.

E depois desses mais de 180 dias utilizando-os, cheguei à uma conclusão:

É uma cilada, Bino.

Explicarei:

Meu último namoro durou quatro anos. Nos conhecemos em um intercâmbio, ficamos convivendo por algumas semanas, descobrimos nossos interesses em comum, nos beijamos pela primeira vez, “ficamos” durante um tempo e começamos a namorar. Tivemos momentos bons e ruins (assim como em qualquer namoro), acabou não dando certo, fomos cada um para o seu lado e voltamos à vida de solteiro. E era mais ou menos assim que as coisas funcionavam naquela época, há uns 5 ou 6 anos atrás: você conhecia uma pessoa, conversava com ela, beijavam-se (as vezes no mesmo dia, as vezes não), saíam durante algum tempo, e aí começavam a namorar.

Mas parece que desses últimos 4 anos para cá, a coisa mudou completamente.

Eu não me lembro de existirem aplicativos de namoro naquela época (e se existiam, eu não usava, porque nem mesmo tinha um celular com Android ou Iphone para conseguir baixá-los), então pra conhecer alguém tinha que ser na vida real mesmo. Porém quando fiquei solteira agora, soube que a onda era a dos aplicativos para namoro, e acabei me rendendo.

E sim, no começo, achei extremamente interessante.

Poxa, você nem precisa levantar a bunda do sofá para conhecer alguém! Basta deslizar os dedos de um lado para o outro na tela do celular, vendo fotos dos caras que têm o perfil que você curta – nerd, sarado, viajante, esportista, e assim por diante -, enviar um coraçãozinho virtual para quem te interessou e esperar que ele retribua (quando um gosta do outro, chamamos de match ou crush) para que vocês comecem uma conversa. E se a conversa for interessante e as fotos chamarem a atenção o suficiente, vocês saem e vão ver no que vai dar.

Eu fiquei encantada no começo! Parecia a melhor invenção da Terra, e até fiz dois vídeos no meu canal falando sobre um aplicativo em específico, porque eu realmente tinha fé que ele daria certo e que era possível encontrar diversas pessoas interessantes lá. Afinal, eu estou utilizando esses aplicativos, as minhas amigas estão utilizando esses aplicativos, e nós somos pessoas muito interessantes, então não tem como dar errado, certo?

Então… A teoria é linda. A prática, não é bem assim.

Acontece que depois desse tempo utilizando esses aplicativos, eu percebi que acontecem algumas coisas muito interessantes. Vou listá-las para vocês (e se você já usou algum desses aplicativos, vá listando mentalmente se já percebeu alguma dessas coisas):

1 – Ninguém nunca está satisfeito com o que tem. Você pode ter dado match em vários caras legais e interessantes, mas sempre ficará tentado em dar uma passadinha nas fotos dos outros “candidatos” para ver se tem mais algum que te chame a atenção.

2 – Quando você vê, está distribuindo coraçõezinhos para vários caras e, consequentemente, conversando com vários (e aí haja treino de memória pra lembrar qual conversa você teve com quem e a idade, profissão e onde moram cada um deles). E desse jeito, é impossível conhecer de verdade mais de uma pessoa por vez.

3 – Por mais que a conversa com um cara esteja fantástica, aparece outro cara também com um papo legal, e aí você fica naquela dúvida pensando com quem vai conversar, mas no final acaba falando com os dois (ou mais) ao mesmo tempo e pensando “Ah, não tem problema, é só um aplicativo”.

4 – Ok, você já está falando com um cara há tempos, e vocês resolvem sair. O encontro é legal, você volta pra casa e espera que ele te envie uma mensagem para que vocês tenham a oportunidade de se ver de novo. Se ele não mandar, você sofre por uns 5 minutos, mas aí já entra nos aplicativos e encontra outro cara pra conversar e sair, e acaba nem lembrando que o outro existiu. E se ele mandar uma mensagem, mesmo assim, você continua com os aplicativos lá instalados no celular e, na primeira mancada que o cara dá, já procura outra pessoa pra conversar.

5 – Outra coisa incrível que tenho visto nesses aplicativos é o número de gente casada e namorando que tem lá. A maioria você só descobre depois de algum tempo de conversa, mas tem alguns que até colocam no perfil algo do tipo “sou comprometido, mas gostaria de pessoas para conversar”.

A conclusão que eu chego é: as pessoas não tem mais paciência para nada.

Tudo é muito fácil de conseguir, então consequentemente é fácil “trocar” uma pessoa por outra.

“Ah, esse aqui não tá conversando direito comigo, então vou voltar a conversa com aquele outro”, “Putz, meu namoro tá uma merda, deixa eu entrar nesse aplicativo aqui pra ver se acho alguém melhor”, “Sair com aquele cara é legal, mas e se eu olhasse o aplicativo rapidinho só pra ver se tem alguém que combine mais comigo…”.

E até mesmo eu, minhas amigas e você, que entra nos aplicativos com a intenção de encontrar gente interessante – porque sim, somos pessoas interessantes -, acabamos sendo fisgados pela tentação do cardápio de pessoas que eles têm disponível, e começamos a ter o mesmo comportamento: o de “aumentar o leque de opções” (tem vários caras lá mesmo, porque eu vou investir em um só se eu nem sei se vai dar certo?).

E é por todos os motivos que listei aqui nesse artigo que eu decidi parar de usar esses aplicativos.

Eu simplesmente cansei da ilusão que eles me proporcionam, essa coisa de achar que todos são fáceis de conseguir e que, consequentemente, somos todos descartáveis.

Eu quero conhecer alguém sentada em uma livraria, lendo meu livro preferido, e que chegue e fale “Nossa, esse livro é ótimo!”. Eu quero conhecer alguém no show de uma banda que os dois curtem muito, embalados por uma música que nós dois sabemos a letra de cor. Quero conhecer o amigo de um amigo, em um aniversário num barzinho, onde a gente sente e converse por várias horas até descobrirmos tudo o que temos em comum.

Eu quero conhecer alguém do jeito que eu conhecia antigamente: na vida real.

E quero que, quando eu conhecer essa pessoa, nós imaginemos que só exista um ao outro, e que esqueçamos das outras milhões de pessoas que existem na vida. Quero que a gente se dedique de verdade a nos conhecermos, e que se der certo, ótimo. Mas se tentarmos e mesmo assim não der certo, quero que a gente saia pro mundo e só então, vá procurar um amor em outra pessoa.

Admiro muito as pessoas que conseguem encontrar namorados e maridos nos aplicativos de namoro. Eu tentei por seis meses, mas pra mim, já deu.

Espero realmente cruzar com meu futuro amor na vida real.

Porque a virtual, eu já descartei.

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