serendipidade-02
Vai, sente tudo o que tem pra sentir. Se abre, sem medo de se magoar, machucar, dilacerar. Se você não tem coragem, não adianta ter vontade. Foi pra isso que veio. Pra sentir algo mesmo que seja dor. Só sabemos que estamos vivos quando nos permitimos sentir. Coração cheio, mesmo que de mágoas e ressentimentos, não tem espaço pra amores novos, aventuras loucas e risadas provocadas por piadas que só dois que se completam entendem. Vai, se joga no incerto. Pelo menos uma vez.

Esquece o passado e o que o mundo já te fez. Abre as portas e corre pro caminho da felicidade, vai mesmo sem ter feito as malas, sem planejamento, sem saber o destino final. O caminho que percorreu já foi, você arrisca um olhar para trás e pode até pensar em voltar, mas sejamos sinceros: você sabe que nada daquilo vai mudar. E nem é pra mudar, porque foi tudo que te trouxe até aqui e que te fez ser quem é. Faça um minuto de silêncio e agradeça por ainda estar em pé. Afinal, se você ainda consegue caminhar, é um sinal de que nada foi tão ruim quanto havia pensado.

Anda, assume. Abre o coração e conta pro mundo o que você sente, o que você quer, quem é o motivo do teu sorriso torto, quem é a primeira pessoa que você pensa ao acordar. Grita se precisar, nem que seja para o próprio travesseiro. Chora, mesmo sem saber o por quê. Se permita sentir o que quer que esteja sentindo. Tira esse escudo que tenta te blindar das coisas que te fazem mal, e que acaba te blindando das coisas boas também.

Queria que você pudesse sair de você pra saber como é bom te ver sorrir, rir, voar sem conseguir sair do chão, amar mesmo quem se sente incapaz de ser amado. A tua graça é ser quem você é mesmo quando o mundo todo te diz pra parar de ser assim. E você é. E continua sendo até o fim.

Escrito por Mariana Vasconi