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“Livre, era o que ela mais queria ser
Livre, pra ir e vir e ser o que quiser
Quando quiser e se quiser”

Já fui o tipo de pessoa que precisava ter alguém do lado pra ajudar a se descobrir. Sei lá, eu acho que, em algum momento da nossa vida, a gente fica meio perdido e não sabe muito bem o que quer. Normal.

O tempo passou, e hoje, pra mim, é impensável ter alguém ao meu lado me dizendo o que fazer, do que gostar, qual o melhor caminho a seguir. Ei, eu já sei o que eu quero! Saiba o que você quer também, e vamos seguir juntos nessa caminhada rumo à realização dos nossos sonhos, ok?

Só não me peça pra parar.

E é aí que eu acho que mora o problema.

Ninguém devia ser obrigado a parar com os próprios sonhos e limitar as suas vontades ao que o outro quer. Nunca! De jeito nenhum!

Mas, comumente, é bem difícil fazer as vontades se coincidirem.

Estava conversando com um amigo esses dias, e ele disse que estava namorando uma menina e que gostava muito dela, mas chegou a um ponto que teve que terminar tudo. E quando eu questionei o por quê, ele se limitou a dizer: “Nossas vontades eram diferentes, cada um queria seguir um caminho na vida e pensei que seria egoísmo da minha parte continuar a namorá-la sabendo que não teríamos futuro juntos, já que, mais cedo ou mais tarde, os dois iam se frustrar com as diferenças e acabar terminando”.

Até que ponto uma pessoa pode interromper os seus planos por causa de outra? E também, ate que ponto vale a pena não abrir mão de nenhuma das suas ambições – e acabar perdendo quem se ama?

Eu confesso que ainda acho difícil pensar nesse ponto do equilíbrio de um relacionamento. Acho que, em todos os relacionamentos que já tive, chegava uma hora que estava abrindo mão das coisas que eu queria por causa do outro.

E posso falar? É um saco jogar seus sonhos no lixo pra manter alguém ao seu lado.

Acho que a gente sempre tem desejos que são prioridade na nossa vida: casar, ser mãe, ter um negócio de sucesso, escrever um livro, viajar o mundo…

E eu acho que se alguém pede pra você abrir mão de algo que você deseja com todo o seu coração, não vale a pena continuar esse caminho juntos.

Já passei por um relacionamento aonde fui questionada a respeito de um dos maiores sonhos que eu tenho. E, quando percebi que se quisesse continuar com aquela pessoa teria que abrir mão daquele sonho, parecia que haviam tirado uma parte de mim. Ter que escolher entre quem você ama e o que você mais quer pode ser uma experiência horrível.

Mas depois de um tempo eu percebi: se você realmente ama a pessoa, você quer vê-la feliz. Não é egoísmo querer ser feliz e realizar os seus sonhos, mas é egoísmo sacrificar a felicidade e os sonhos de outra pessoa para alcançar os seus. Não estou dizendo que ninguém deve abrir mão de nada (até porque isso também é um problema, tudo tem que ter um equilíbrio), só estou dizendo para não abrir mão do que faz parte da sua essência. Porque, afinal de contas, foi pela sua essência que o outro se apaixonou.

Hoje, pra mim, além das coisas básicas que qualquer relacionamento tem que ter – respeito, amor, carinho -, prezo muito por uma coisa que eu acho que sempre faltou nos meus relacionamentos anteriores: liberdade.

Liberdade pra fazer o que quiser. Pra seguir os próprios sonhos e deixar a pessoa seguir os dela também. Se os sonhos conseguirem caminhar juntos, perfeito, caminhemos. Se não for possível, os dois também são livres pra irem cada um para o seu lado e seguir a vida.

E… Caminhemos.

“Livre, não por acaso, acaso não condiz
Quando condiz com o que se quis

E só o tempo só pra descobrir
O que vai ser…”
Liberdade ou solidão – Tiago Iorc

Escrito por Mariana Vasconi