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Sobre ser eu

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Eu gosto de filmes de heróis, perseguições a bandidos e com tramas surreais e misteriosas, mas troco todos eles por uma boa animação, ou por um filme “água com açúcar” e com final clichê. E de preferência, que eu já tenha assistido antes. Porque sim, eu amo assistir um filme que eu já sei o final – e não me importo de repeti-lo três, quatro, dez vezes. Eu não sei o final de nada na minha vida, mas posso saber pelo menos o final da ficção? Posso. Obrigada. De nada.

Eu como salada por pura obrigação, e de jeito nenhum que vou preferir um prato gigante dela do que um bom rodízio de carne. E também não me importo com o dever de queimar as calorias adquiridas nesse rodízio no dia seguinte. Se acordar com disposição, ótimo, eu vou. Se acordar e o livro na minha cabeceira me chamar mais a atenção, desisto da caminhada, deito e leio.

E falando em ler, consigo facilmente trocar vários programas fora de casa para terminar um livro de duzentas páginas em um dia. Os livros, normalmente, não decepcionam. As músicas também não. Têm algumas que parece que foram escritas sob medida pra descrever meus sentimentos. E não tenho nenhuma vergonha de admitir que coloco fones nos ouvidos antes de dormir para escutá-las repetidas vezes até toda a angústia dentro de mim vazar em forma de lágrimas. Emoções são pra ser sentidas, e eu sinto cada uma delas com a mesma intensidade que sinto um forte pisão nos pés descalços.

Ah, e eu me coloco no lugar das pessoas quase que automaticamente quando escuto suas histórias, e isso me dá tantas alegrias e tantas dores de cabeça que eu mal consigo contabilizá-las. Empatia, é como chamam. Eu chamo de “algo que as pessoas deveriam ter mais”. Acredito em energias, em signos, no poder da meditação e do pensamento positivo. E não consigo conviver por muito tempo com pessoas que só pensam em desgraça e em coisas ruins, porque sinto que elas drenam tudo de bom que existe em mim. Eu já me despedacei muito para deixar os outros inteiros, mas hoje, me policio para deixar todos os meus pedaços juntos, porque percebi que é mais fácil ajudar alguém – e me ajudar – quando estou inteira do que pela metade.

Eu troco facilmente uma mentira dita pra me agradar por uma verdade, mesmo que inconveniente. Prefiro chorar por um ou dois dias por uma verdade que me magoou do que ter meu coração confortado momentaneamente por uma mentira que, mais cedo ou mais tarde, vai ser revelada. E sim, como eu também tenho um sexto sentido absurdo, sempre sei quando tem alguma coisa de errada – e estou certa em 99% das vezes. Tenho amigas que me chamam de “bruxa” por causa disso, mas acredite: saber das coisas antes delas se revelarem é, na maior parte das vezes, um saco. Tem horas que eu preferia viver na ignorância de acreditar em tudo do que na certeza de que aquela situação vai terminar mal – porque, na maioria das vezes, acaba terminando mal mesmo.

Tenho também a mania (chata) de ver o lado bom das pessoas, e por isso, acho justificativa pra tudo. “Ele é assim porque tem problemas na família”, “Ah, foi só um momento ruim, mas na verdade ele não é mau” ou “Devem ter sido os problemas no trabalho, por isso a raiva” são frases que eu costumo usar com mais frequência do que gostaria para justificar o comportamento dos outros. Mas, apesar de muitos considerarem esse um defeito, eu considero que o defeito não é meu, e sim dos outros. Por não enxergarem o que têm de bom, e por deixarem o seu pior lado se sobrepor às qualidades que deveriam ter. E apesar da minha cabeça saber que eu deveria acreditar menos nos outros, meu coração sempre implora “me deixa continuar acreditando no mundo”. E eu vou continuar acreditando, mesmo doendo, porque o mundo precisa de mais pessoas que acreditem nele.

 

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