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O raso que não se deixa transbordar

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Vou te dizer uma coisa: o amor próprio é lindo, é necessário, é a melhor coisa do mundo. Mas ter alguém do seu lado pra somar amor com o seu é maravilhoso. E faz falta.

E quando digo amor, eu quero realmente dizer amor. Gostar é bom, mas eu também gosto de bolo e nem por isso quero tê-lo todos os dias – ok, talvez até queira. Gostar muito também é legal, mas ainda fica aquela sensação de que falta alguma coisa. Como um prato raso, que se você coloca algo em cima ele escorre e cai, assim são esses tipos de gostar: rasos, sem chances de suportarem aquela avalanche de sentimentos que, mais cedo ou mais tarde, acontece em um relacionamento.

Eu sou a pessoa que demora pra se entregar mas, uma vez que me entrego, vou com tudo, sem pensar duas vezes. E não há nada pior do que se jogar no mar e esperar a outra pessoa decidir se entra ou se continua somente na areia, molhando os pés com as ondas fracas que o mar lhe atira, e que vão perdendo a força conforme a pessoa se distancia da água, ficando mais próxima à segurança e firmeza da terra. O mar está aqui, vasto, imenso, na sua frente, e você não se joga? Qual o medo?

Chega de sentimentos rasos, aqueles que só cobrem os pés, que quase não chegam até o tornozelo. Eu quero um amor pleno, que me cubra até o pescoço, fazendo-me equilibrar na ponta dos pés para não me afogar. Duas pessoas cheias de amor próprio que, quando se juntam, não se preenchem porque não precisam se preencher, apenas se transbordam. Que me deixe sem ar, com respirações curtas, rápidas, mexendo o peito com a rapidez de quem acabou de correr. E na verdade corremos – mas sem sair do lado um do outro.

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